segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Tempo...

Seis horas, as cordas amarram meus pulsos com força
Eu quero gritar para o vento, quero sair correndo
o dia esta apenas começando, as pessoas despertam para suas vidas
e eu desperto para a minha...

Oito horas, Adormeci novamente ao que parece, mas agora aqui estou
Olhos abertos
Encarando o nada, esperando por algo.
As cordas ainda apertam, elas ardem, queimam
Não posso me mover, não quero me mover
Movimentos me machucam


Dez horas, eu estou sentado perto da mesa
o café esta quente, o cheiro é bom
mas o gosto é amargo
A vida se parece muito com isso... 


Onze horas, Eu estou caminhando, árvores a minha volta
eu sinto o cheiro de terra molhada
Escuto o pio dos pássaros
o céu é azul e o dia esta quente
As cordas apertam meus pulsos
O suor escorre pela minha testa

Meio dia, Estou sentado
Há rostos a minha volta, posso ouvir risadas
Vultos negros, nenhum deles me nota
Eu finjo que não os vejo


Duas horas, As cordas ainda apertam
eu estou com raiva
fecho meus olhos, conto até dez
Escuto uma risada
Vozes
Pessoas


Três horas. Posso fugir? Posso correr?
Será que se eu sair e não voltar mais
Sentirão minha falta?
E essas cordas... Elas machucam... 


Quatro horas. Palavras machucam
Não por muito tempo
Apenas respire... 

Cinco horas. O tempo esta passando...
Posso sentir o relógio se movendo
Os vultos ainda estão por perto
Parece que me notam agora
Estão furiosos...


Seis horas. Respirar dói
Meu pulmão parece em chamas
As lágrimas caem de novo
Os sussurros e as cordas
As cordas machucam... 


Sete horas. Estou rindo
Geralmente eu rio por qualquer coisa
eu choro por qualquer coisa também
Talvez essa sensibilidade seja uma maldição
Mas as cordas não machucam tanto... 


Oito horas. Esta escuro
Estou em casa
Estou na cama
Eu ainda respiro

Nove horas. Estou sozinho

Dez horas. Ainda estou sozinho

Onze horas. As vozes de novo...
Ainda estou sozinho...

Meia noite.
Estou sozinho
Estou chorando
As cordas me machucam
Mas ninguém parece notar
Exceto as vozes
Elas sempre notam... 




      
     

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O Copo Vermelho

                Ela termina de colocar seus brincos favoritos e dá uma última checada no espelho, do outro lado da cidade ele pega sua jaqueta de couro, passa a mão no topete e desce as escadas.
                Ao ver a filha toda arrumada, a mãe grita toda preocupada:
                -Filha, não deixa seu copo sozinho!
                Ela acena e manda um beijinho, preocupação de mãe é tão fofinho.
                Na outra casa existe uma mãe igualmente preocupada, mas por outro motivo.
                -Hey, não esquece de usar camisinha!
                Ele apenas dá risada, sua mãe nem lhe cobrava para que fosse santinho.
                Ela demora vinte minutos para chegar, ele cinco.
                Ela chega com mais duas amigas, ele sozinho.
                Ela só está afim de dançar a noite inteira, já ele quer se divertir com algo mais íntimo.
                Ela dança pra lá, dança pra cá, ele paquera daqui e paquera de lá.
                Ela se cansa e decide sentar um pouco no bar e por que não aproveitar uma bebida?
                -Barman, me vê uma vodka com limão!
                Do outro lado do salão ele acaba de levar um fora pela terceira vez consecutiva e só então decide se sentar ao lado daquela morena que segura um copo vermelho.
                Ela toma um golinho e descansa o copo no balcão e só então escuta alguém chamar seu nome na multidão era uma de suas amigas que veio se despedir, havia quebrado o salto e já não estava mais confortável principalmente porque no dia anterior já tinha comparecido em um evento, se despedem com um beijo e ela aproveita para procurar a outra amiga na multidão, nem sinal dela, mas não havia com o que se preocupar era a rainha da diversão.
                A morena vira seu banquinho de volta para o balcão e termina sua bebida em goles maiores, já queria voltar a dançar e por isso nem tinha prestado atenção naquele copo vermelho que ficou um tempo sem supervisão.
                Sobrou apenas o último gole quando o cara charmoso sentado ao lado começou a puxar assunto, ele também parecia apressado para terminar a bebida e julgando pelo modo como sua perna se agitava ele também estava desesperado para dançar.
                Os dois se levantam e vão para o meio da pista, eu me pergunto se a opinião dela teria mudado se soubesse que lá dentro ele estava pensando que “Se não posso conquistar, por que não forçar?”, mas já era tarde eles dançavam lentamente ao som da frenética música eletrônica era até cafona de se observar.
                 Talvez uma ou duas músicas depois ela começou a se sentir tonta e já não conseguia ficar em pé sem se apoiar, ele diz que vai ajudar, mas ela já não sabe direito aonde está e sequer consegue dar o endereço para que volte para casa em segurança.
                Feito uma ressaca ela sente a dor de cabeça a despertar naquele quarto branco ainda com a vista embasada por conta da claridade, ela primeiro tenta identificar onde está, talvez em um hospital, quem sabe e só então ela parece notar algo frio contra  a sua pele, esse algo era uma banheira. Ela estava nua na banheira de um banheiro branco onde sequer fazia a ideia de onde ficava.
                Em meio a isso tentamos achar uma explicação, quem sabe se o salto não tivesse quebrado naquele horário, se o copo fosse transparente e ela tivesse prestado atenção nas bolhas que se formavam ali ou até mesmo se a mãe dele tivesse dito para não drogar ninguém, nada disso faz sentido, é apenas um meio de acalmar o coração dizendo que as coisas poderiam ter acontecido de outro jeito.

                Eu apenas espero que aquela não tenha sido a última vez que ela se sentiu confortável em sua própria pele.

domingo, 18 de junho de 2017

Fita

                 Eu amarro e desamarro a gravata diversas vezes, mas por alguma razão ele sempre acaba desatando, meio que me lembra nossa relação, mesmo que eu quisesse que durasse para sempre parece que acabamos nos soltando no final, mesmo que o tempo esteja sendo difícil para mim, não se preocupe, não vou te culpar por nada, ao invés disso fico feliz que aconteceu, você e eu.
                Também não posso voltar no tempo para abrir meus olhos para o que realmente deveria ser protegido, eu era tão fraco para dizer sequer uma palavra que no final não consegui te pedir para ficar, quem me dera fossemos essa gravata que eu seguro agora, nós poderíamos reatar perfeitamente e eu teria certeza que esse nó seria bem amarrado para que nunca mais se soltasse.
                Eu apenas me concentro em terminar de arrumar a gravata, com o mesmo vigor que ataria nossa relação, eu me pergunto se você também pensa o mesmo... Não sobre a gravata, porque eu devo ser o único louco que passa a ver nossa relação em algo tão simples do dia a dia, como se fosse tão fácil quanto dar um simples nó, mas eu me pergunto se você ainda pensa sobre voltar.
                E assim duas ou três garrafas depois, lá estou eu chorando e dizendo que não queria que você fosse embora, pra ninguém ali da mesa isso era novidade e nem o meu caminho quando decidi sair pela cidade de madrugada, não importa aonde pensasse que queria ir, meus pés apenas me levavam para a sua casa.
                Cambaleando pra direita e depois pra esquerda com um sorriso bobo no rosto lembrando do sonho em que você apareceu na outra noite, seria uma má ideia querer ver ele de novo? Talvez não fosse, se eu estivesse com um buquê de flores e um pedido de desculpas tão sincero quanto a cor vivida das flores que carrego, mas minha bebedeira apenas distorceu as coisas, então eu estava indo a passos desordenados, gravata folgada e fala arrastada segurando apenas a minha vontade de te ver de novo.
                Em frente aquele sobrado um tanto quanto velho eu sinto meu coração despedaçar, mas eu sorrio fingindo que tudo está no seu lugar, afinal a realidade e a fantasia eram uma fina linha que a bebida já não conseguia separar, quem me dera eu tivesse feito uma surpresa dessas de madrugada pra você, mas eu estava sempre tão ocupado com o trabalho, com os meus amigos, com o que eu gostava que eu nunca fui um bom homem pra você.
                Não havia pedra pra jogar na sua janela, mas de qualquer forma eu teria errado, não havia um violão pra fazer uma serenata bela, apenas a minha voz de embriagado, mas eu deveria ao menos cantar algo, pra ver se você ao menos me olhava de soslaio.

“Joseane meu amor,
você me deixou
E aqui fiquei largado
Se essa música te irritou
eu prometo ir embora calado”

                E como esperado você apareceu na janela, só que sem aquele olhar terno que eu esperava, era um olhar irritado de quem iria receber reclamação dos vizinhos, de quem iriam rir por ter um ex-namorado tão desafinado e ser infantil em suas composições.
                Eu apenas não consigo mais voltar no tempo e recuperar tudo que perdi tão lentamente, todas aquelas vezes em que não disse nada me levaram a ficar sem nada e agora só posso segurar as memórias que outrora foram realidade.
                E aquela bendita gravata que eu não consigo mais amarrar corretamente continua em meu pescoço, só que em minha mente tão distorcida ela se torna uma fita, como aquela fita que se dá laços em presentes... Será que se eu fosse um presente você me aceitaria de volta? Só me resta amarrar na minha testa e bater na sua porta.
                E assim nesse papel ridículo que eu me sujeitava, eu bati na sua porta esperando aquela linda miragem que é você, será que é por você estar sempre sorrindo que não percebi o que estava acontecendo? Se ao menos a verdade conseguisse apagar essa saudade.
                Ela abre a porta lentamente escondendo-se atrás da mesma, talvez por vergonha de estar de camisola.
                -Tcharam! Olha só o presente que você ganhou – era isso que eu imagino ter falado, mas minha língua estava tão enrolada que talvez não fosse isso que ela tivesse escutado.
                -Por favor, Gonçalo, nós já terminamos, será que você pode voltar pra sua casa? Eu chamo um táxi, se precisar... - seu tom era terno e calmo como alguém que não quer que os vizinhos ouçam a bagunça do ex-namorado.
                -Ahn? Como é que a gente terminou? Você ainda sorri quando me vê- aquele ser alterado que naquele momento era eu começou a sorrir e ela apenas suspirou profundamente.
                -É porque eu não te odeio completamente... Agora fique aonde está que vou chamar o táxi- ela fecha a porta e eu apenas escuto seus passos.

                É tudo que eu me lembro antes de escorregar pela porta e adormecer ali mesmo no tapete de “bem-vindo”, quando acordei com a bendita ressaca, a gravata ainda estava na minha testa e no meu braço um laço vermelho, que já estava desamarrado.

domingo, 11 de junho de 2017

Chuva

                Eu finalmente deixo as ruas cinzentas daquela cidade vazia, chegando em casa e eu vou direto pra janela e a abro sem hesitação, parece que toda a melancolia da minha vida se fora com a brisa e com os pingos de chuva que tocam minha mão, era um cenário tão bonito, mas ao mesmo tempo tão cheio de solidão... Talvez seja porque hoje eu estou sentindo sua falta por algum motivo, as lágrimas começam a surgir quando eu começo a lembrar de você.
                As minhas memórias voltam de alguma forma quando chove, parece que a dor ainda continua aqui, parece que neste exato momento eu estou te vendo encharcado como na primeira vez em que me ofereceu o guarda chuva, além da chuva o que te molha são as minhas memórias, mas você fica lindo assim.
                Quando comparada a chuva, nenhum cenário é mais bonito do que isso, nem mesmo aquelas fotos que fizemos ao ver a neve pela primeira vez, em vez disso eu preferia ter um álbum das vezes em que nos molhamos e corremos apressados para o carro.
                Essa noite acaba se aprofundando em sentimentos, eu me lembro de todas as promessas que fizemos e até mesmo de seu abraço tão aconchegante, mas agora já está na hora do adeus.
                Eu desço as escadas rapidamente, vou tomar um banho de chuva para reviver e deixar ir esses momentos, meu sorriso é inevitável quando começo a ficar encharcada lentamente, escuto as suas risadas e as minhas também e este momento se torna tão lindo, mesmo que eu já não esteja com você.
                Por muito tempo você foi o raio de sol dos meus dias pretos e brancos, mas eu acabei aprendendo que mesmo com estas cores eu ainda posso criar o cinza e mesmo que eu ainda queira que você volte como a chuva para colorir meu dia hoje eu percebo que essas três cores também são importantes.

                A chuva que cai faz um barulho tão tranquilizante que são como sussurros, eu posso até confundir esses sussurros com a sua voz e isso acalma meu coração, a chuva me conforta como se perguntasse como foi meu dia, exatamente como você fazia, então tudo bem chover, mesmo que as memórias com você possam voltar eu também sei que elas irão quando a chuva acabar.

sábado, 10 de junho de 2017

Mais uma Vez

Naomi On

                Com passos pesados eu subo aqueles poucos degraus do ônibus que mais me pareciam uma eterna escadaria, eu paro em frente ao meu lugar e consigo te observar pela janela, apenas uma pergunta vinha a minha mente, “Eu serei capaz de te ver novamente?”.
                Eu sei que um tempo atrás éramos perfeitos um para o outro, mas a algumas brigas atrás parece que essa felicidade passou por mim e eu não pude fazer mais nada além de observar, é isso que as pessoas chamam de destino? Eu preferia que fosse apenas um sonho e que quando eu acordasse você estaria melando minha bochecha com o chantilly do bolo de meu último aniversário.
                O ônibus da partida e você vai se afastando cada vez mais como um oásis no deserto, a mais bonita miragem me deixa sem fazer alarde, mas o mais barulhento são as palavras que eu não pude dizer pela última vez, eu não consegui dizer que te amo outra vez e esses sentimentos tão profundos quanto a última camada do oceano me fizeram lembrar da sua promessa de que enquanto houvesse amor entre nós, não deixaria uma lágrima sequer cair do meu rosto, mas agora já é tarde demais, ela percorre lentamente meu rosto e eu já não tenho mais força para parar.

Naomi Off

Michael On

                Você é como aquele sonho em que não se quer acordar, como o gelo que derrete quando você acha que vai durar, eu sei, nem sequer se faz horas desde que você se foi, mas eu já sinto a sua falta, eu já espero a sua volta.
                De alguma forma eu acabei criando essa situação e eu não te segurei, porque eu acreditei que voltaríamos, eu pensei que apenas te amar demais e sentir saudades demais te faria voltar mais uma vez, mas eu estava errado, eu sempre estive e nem sequer pude te dizer isso de novo.
                Como uma intensa febre a raiva me atinge e eu acerto o volante deixando que a buzina e o meu grito se misturem, eu sei que quem quer que estivesse passando ali pensaria que eu sou louco, mas eu realmente sou por ter deixado você e agora eu já não sei se me encontro no começo ou no fim desses pensamentos febris, eu devo estar em algum lugar no meio, algum lugar que vai me enlouquecer antes que eu possa me livrar completamente disso.
                Não importa o que eu pense ou no quanto eu pense, a resposta pra minha felicidade sempre vai ser você, então por que todo esse tempo eu me enganei dizendo que não era só você? E agora estou inutilmente tentando me livrar dessa sensação de que mais nada faz sentido sem você, mas você continua aqui dentro como se meu coração fosse sua casa e você não fosse deixar, e novamente quando eu tento me deitar, nos meus sonhos você está.

Michael Off

Naomi On

                Já era alta madruga e eu tirava as roupas da mala, mas cada peça me remetia a um lugar que estive com você, algumas ainda possuem o seu cheiro e eu sinto que poderia me embriagar em emoções e memórias que fazem parte da nossa história.
                A verdade é que eu não quero te perder, eu não quero ter que ficar sem você, nem sequer um segundo a mais.

Naomi Off

Michael On

                Eu me levanto e decido tomar um copo de café, não é como se eu conseguisse cair no sono sem pensar em você, não é como se eu pudesse ficar acordado sem pensar em você, não é como se eu pudesse pensar em viver sem você.
                Pode até ser verão, mas a cama está tão fria sem você aqui que nem este café pode esquentar meu coração.

Michael Off

Naomi On

                Eu continuo repetindo que não quero te perder enquanto seguro aquela blusa que usei em nossa última noite juntos, cada coisa me lembra que eu não quero ficar sem você, mas eu serei capaz de te ver de novo? Será que vou acordar desse terrível pesadelo? Será que é possível mudar nosso destino? Eu jamais descobrirei se ficar aqui sentada chorando agarrada a uma blusa que não passa de mais nada além de um pedaço de tecido.
                Eu coloco as peças de qualquer jeito na mala e deixo aquilo tudo amarrotado, eu precisava te dizer com pressa aquilo que ficou aqui guardado, eu precisava de toda a minha determinação para pegar mesmo que fosse um trenó e aparecer descabelada na sua porta para dizer que te amo e pedir para que você não me faça chorar mais uma vez.

Naomi Off

Michael On

                Se eu tivesse a oportunidade de voltar no tempo, eu certamente voltaria para aquela noite. Eu sei que apenas uma noite não mudaria o que aconteceu entre nós, mas eu não teria te deixado sozinha, eu teria mudado cada palavra e cada ação, eu não teria quebrado aquele quadro, teria te abraçado fortemente.
                Eu me arrependo, mesmo que eu pense que você deveria ter me dado outra chance, dessa vez eu não teria soltado a sua mão, eu faria questão de não te deixar partir, jamais. Você só precisa continuar tão linda quanto um flor no começo da primavera e eu sempre voltaria para você.
                Eu não consigo parar de pensar no quão rude fui com você, por que eu não sabia te tratar bem? Se eu tivesse apenas te abraçado, as coisas seriam diferentes agora? Eu queria apenas esquecer, mas te esquecer seria impossível porque a única resposta pra minha felicidade é você.

Michael Off

Naomi On

                Se eu não quero te perder, eu preciso me mover, eu preciso estar com você e essa distância precisa ser encurtada.
                -Uma passagem, por favor.
                A atendente me olha um pouco assustada, a frase sai um pouco ofegante, eu não conseguiria esperar até o amanhecer, eu queria te ver, queria cessar essa vontade de chorar por não estar mais com você.

Naomi Off

Michael On

                Eu tento jogar, eu tento tocar violão, eu tento comer aquelas batatas que você tanto gosta, mas não importa o que eu tente a resposta da minha felicidade é apenas você.

Michael Off

Naomi On

                Eu confiro o relógio assim que o ônibus chega, só falta mais meia hora para às 4:00, será que eu conseguiria te ver? Mas talvez você estivesse dormindo tranquilamente sem nem se importar se eu estava lá ou não, o que eu penso já não importa mais eu só preciso falar sobre o meu coração, preciso despertar desse pesadelo e assim eu vou saber que tentei não ficar sem você.
                Eu bato na porta com pressa e seco minhas lágrimas que insistiam em cair, era sempre assim quando eu estava sem você. Eu estava ali te esperando abrir a porta um tanto quanto ansiosa e então eu escuto passos um pouco apressados, será que você sentiu a mesma falta que eu senti de você?
                -Não diga adeus, volte pra mim, não importa quanto tempo você tenha que demorar.

                Eu não pude esperar uma palavra, eu apenas precisava te abraçar.

terça-feira, 18 de abril de 2017

00:00 - Arial (12)

👼                            

         

         Eu demorei um pouco para associar as coisas, na verdade, eu acho que ninguém nunca percebe de cara o que esta acontecendo.


Fiquei um tempo encarando o teto em silencio enquanto tudo se remoía na minha cabeça mais uma vez, era difícil de aceitar, sempre é difícil de aceitar. Eu sabia que não devia me importar, que devia ignorar, fechar os olhos, não ouvir, não sentir, não fazer nada. Mas eu sentia até demais.
Não tinha como fugir daquilo, não tinha como evitar, não podia nem mesmo ver, como poderia lidar com o problema?

Estendi o braço para pegar o celular na cabeceira da cama e quando a tela se acendeu, o relógio marcava exatamente meia-noite. suspirei, eu não conseguia dormir, não conseguia pregar os olhos, meu coração parecia uma bomba no meu peito, acelerado, fora do ritmo cardíaco normal, era como se eu tivesse corrido uma maratona, mas uma maratona imaginária, que existia apenas para mim mesma.

A realidade pode ser sufocante as vezes, eu não conseguia dormir, por mais que quisesse, eu acordava desesperada a noite, buscando por oxigênio. Eu sentava na cama arfando, em desespero. Aquela onda de pensamentos que sempre me acompanhavam todos os dias, eu não podia escapar deles. Por mais que desejasse.

Eu andava e queria desaparecer em meio a multidão, parecia que todos os olhos estavam sobre mim, mesmo quando eu estava completamente sozinha. Sentia meu estômago se embrulhar, o enjoo constante, o desespero, a sensação de que a qualquer momento algo ruim iria acontecer. Mesmo que nunca acontecesse.

E agora eu estava ali, olhos abertos, na meia-noite de um dia qualquer, o que eu posso fazer? o que eu posso dizer? O que eu DEVO fazer?

Todos os problemas tem uma raiz, todos podem ser solucionados, mas, porque eu não conseguia resolver este?

Talvez porque ninguém estivesse por perto para me ouvir, ou porque eu não tentasse falar, talvez porque as pessoas estão ocupadas demais para perceber, em seus próprios mundos.

Se eu pudesse, eu pediria desculpas.
Mas você não aceitou meu pedido de desculpas.
Você me perdoou depois de me destruir.
A pessoa que me disse uma vez que a palavra Vigança é uma palavra ruim.

Entenda como quiser.
Quão hipócrita você pode ser?

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A chuva

       Ninguém gosta da chuva, poucas pessoas na verdade gostam. Eu aprendi a gostar.

Quando se vive em um lugar onde pouco chove, onde todos os dias se vê o sol, o céu limpo e azul, você deseja desesperadamente que chova. E mesmo que a chuva nunca venha, que leve meses para que o céu se encha com nuvens negras e pesadas, prontas para derramar sob a terra, você ainda acredita que vai chover.
    É por isso que ninguém gosta da chuva.
 Todo mundo sabe que vai chover, mesmo que demore, a chuva ainda há de cair. Antes, eu não reparava nisso, em como muitas vezes as pessoas são contraditórias e ingratas.
"Hoje o dia está quente demais! Espero que chova de tarde." Mas quando veem as nuvens negras se aproximando no horizonte "Parece que vai chover em? Que droga, vou ficar todo molhado!" 
Eu era assim, todo mundo já pensou assim em algum momento na vida, até que eu finalmente parei para pensar. Enquanto observava a chuva cair, alguém parar do meu lado e fazer esse comentário. 


Acho que nunca vou entender porque fazemos isso... 

sábado, 8 de abril de 2017

Me Deixe Saber

                Estamos dançando a última música mesmo sabendo bem que a melodia já acabou, não a que ouvimos, mas a que toca em nossos corações, eu estou me segurando, mas quando vai me deixar saber que tudo acabou?  Assim como a chuva que cai lá fora meus olhos ameaçam, eu apenas decido repousar em seu ombro, de qualquer forma você aparece em meus pensamentos até mesmo quando apenas quero respirar.
                E ainda que eu tente procurar uma razão ou outra, a solução é apenas aceitar que nosso amor é frágil como uma flor de cerejeira que não aguentou chegar à próxima estação, dizem que o que é eterno depende da intensidade, como fogos de artifício explodindo lindamente no céu nós acabamos, como um amor passageiro de apenas uma estação, sem mais nenhuma esperança, tudo o que sobrou foram as pétalas no chão.
                Ainda que seu toque tenha deixado de ser aconchegante, de me aquecer, eu não me sinto da mesma forma, meu coração ainda palpita quando penso em você, mesmo que essa melodia já tenha acabado pra você, aqui dentro de mim é como se o CD tivesse riscado e eu não pudesse me mover, como um laço que afrouxa apenas de um lado, eu ainda estou preso a você.
                Eu só queria que me deixasse saber que acabou, eu sei que o que sentiu deixou saudades, que as marcas te fazem pensar que podemos voltar a ser o que éramos, mas não se engane, eu e você sabemos que acabou, apenas me deixe saber pelos seus lábios que tudo acabou.
                São incontáveis as promessas que fizemos e que deixamos de fazer, o tempo gastou tudo, como palavras ao vento, nada conseguiu persistir ao tempo, eu tento procurar defeitos no que sentia por você, será que eu não te amei loucamente como Romeu e Julieta? E mesmo que tivesse, os dois não acabam juntos no final.
                Talvez eu tenha deixado sua tristeza passar quando não te deixei falar o suficiente no telefone, quando eu não me preocupei em acompanhar você, quando estava ocupado... No final do dia conseguíamos disfarçar e aquecer o que havia quebrado e congelado, talvez eu tenha deixado as estrelas irem com você, deve ser por isso que está nublado lá fora, mas agora já é tarde para tentar entender o que se passa com a tempestade, eu tenho apenas que continuar a dança.
                Quis acreditar que não haveria um final, mas pra sempre é muito tempo e nós ainda somos jovens para aprender a quebrar a regra de que tudo acaba, eu queria lutar, destruir isso e ficar ao seu lado, eu queria te dizer que pode confiar em mim, mas nós sabemos que essa melodia já chegou ao final.
                Talvez seja apenas a nossa idiotice que nos fez ficar perto, talvez já estivéssemos sabendo que não ia dar certo, de alguma forma perdemos algum amor durante a vida, mas continuamos vivendo, mas por que eu ainda tenho vontade de chorar e gritar quando penso que tudo isso está para acabar? Eu às vezes penso que podemos fazer as pazes, por que não poderíamos? Mas a realidade não é tão simples quanto a minha imaginação... Quem dera você apenas me deixasse saber que tudo isso chegou ao fim.

                -Hey, o que esteve pensando a dança inteira?
                -Nada... É só que estou cansado...

Um Milhão de Pedaços

                Com as mãos tremulas eu ando alguns passos atrás de você, é como se eu finalmente pudesse respirar, eu já não me sentia vazio ou impotente, é como se meu coração estivesse cheio agora e não cheio com qualquer coisa, cheio com a sua preciosidade, cheio com a sua raridade, eu penso em te agradecer diversas vezes por enriquecer esse coração pobre, mas nenhuma palavra seria o suficiente.
                Naquele momento eu percebi que todas as vezes em que eu disse “eu te amo” foram desperdiçadas com as pessoas erradas, é como se todo esse tempo eu estivesse procurando você em tudo, eu só não tinha notado que procurava você, no fim, é a única pessoa para quem quero dizer essa frase e muito provavelmente a última, mas a palavra última não me traz boas lembranças arrisco dizer que me traz a sensação de que essa é a última vez que vou te ver... Assim como uma estrela no céu, mesmo quando você está perto ainda sim está muito longe, é quase como se eu não pudesse te tocar, mas eu ainda sim preciso me arriscar, firmemente dou um passo mais a frente e recebendo um sorriso seu pela proximidade.
                Hoje à noite você é como todas as estrelas do céu, como se fosse um milhão de pedaços, que juntos preenchem o céu e o meu coração, é como se esses pequenos pedacinhos tivessem preenchido cada pedaço que falta no meu coração, talvez seja por isso que nessa noite escura ainda sim parece estar de dia, apenas com a luz do seu sorriso.

                O vento nos toca e traz consigo a neve que cai como bailarinas flutuando pelo céu, ao fundo uma música romântica, casais aqui e ali, eu olho para os seus olhos e você apenas sorri, será que hoje eu serei capaz de dizer essa frase pra quem realmente merece? Pra quem eu sempre pensei em dizer... Nesse conflito interno você talvez tenha notado que minha expressão mudou, eu estava um pouco nervoso e as palavras simplesmente não saiam dos meus lábios, mas eu pensei que talvez essa fosse a última vez, aquela temível ultima vez e então reuni coragem para me aproximar e deixar que nossos lábios conversassem como sempre imaginei, e naquele momento, aquele um milhão de pedacinhos se tornaram nós, aqueles pequenos fragmentos se tornaram um só pela primeira vez.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Ficção

23 de fevereiro.
                “Querido diário, hoje fomos ao parque de diversões, eu consegui pegar o ursinho rosa que ela tanto queria, seu sorriso quando o pegou em mãos foi o melhor presente possível, acho que hoje não vou conseguir dormir pensando no quão linda ela estava...”

24 de fevereiro.
                “Querido diário, hoje ela me abraçou forte quando eu ajudei um gatinho a descer da árvore, ela parece ser perfeita para mim, seu jeito é tão suave e sua personalidade tão agradável, ainda consigo sentir seu cheiro doce impregnado em minhas roupas, mais do que isso acho que seu cheiro ficou em minha alma...”

25 de fevereiro.
                “Querido diário, ela finalmente me deu um beijo! Estávamos no cinema e nossas mãos se tocaram enquanto eu fui pegar a pipoca, eu achava que essas coisas só aconteciam em filmes, foi realmente engraçado ter acontecido enquanto assistíamos um filme, passamos o restante do filme de mãos dadas, sua mão era tão macia e quentinha, a sensação continua até agora... Depois do filme fomos tomar um sorvete e como sou desajeitado acabei sujando o canto da minha boca, ela sorriu e deixou um beijinho ali... Tá bom, eu sei que não foi bem um beijo, mas seus lábios são tão maravilhosos que me senti nas nuvens...”

26 de fevereiro.
                “Querido diário, eu criei coragem e beijei ela (dessa vez de verdade), foi rápido, mas mágico, ela estava um pouco atrasada para a aula, então não pude demorar, estou planejando dar um beijo decente amanhã, mas e se as coisas ficarem estranhas? Estou um pouco apreensivo...”

27 de fevereiro.
                “Querido diário, no caso das coisas ficarem estranhas eu decidi levar um buquê de flores para ela, não estava cheio como aqueles grandes, mas acho que poucas flores mostram mais a minha intenção, eu não tinha tempo de esperar um buquê grande ficar pronto, eu passei rapidamente pela floricultura que fica pelo meu caminho e, além disso, ela nunca se importou sobre eu não ter tanto para gastar com ela, de qualquer maneira o sorriso dela foi tão sincero que estou pensando em criar um jardim aqui em casa e dar flores sempre que puder...”

28 de fevereiro.
                “Querido diário, eu ganhei cookies dela, não simples cookies, mas únicos, foram feitos por ela mesma, sabe quantas pessoa no mundo vão ter a oportunidade de provar? Eu me sinto tão único e honrado entre 7 bilhões de pessoas e ainda fomos jantar juntos, ela fica tão fofa quando come que quase esqueci de comer minha própria comida, aproveitamos bem cada segundo juntos...”

29 de fevereiro.
                “Querido diário, hoje havia uma daquelas cabines de tirar fotos na festa de uma amiga dela, fiquei feliz quando ela me convidou, saber que ela pensou em mim foi o melhor de tudo, tiramos várias fotos juntos, até colocaria nessa página, mas  eu já a coloquei na parede, quero olhar para o lindo sorriso dela todos os dias quando acordar...”

30 de fevereiro.
                “E mesmo que eu invente um dia a situação continua a mesma, mesmo que seja mais um diário fictício do que minha rotina, por que nada do que eu escrevo aqui se torna realidade?! Eu sei que ainda não consigo te esquecer, eu sei que ainda fico confuso toda vez que vejo um cara perto de você, mas eu não tenho a confiança de que qualquer um deles pode te fazer feliz como eu faria, eu não posso confiar seu coração a outro alguém... O que eu tenho para confiar? Seu coração nunca foi meu de qualquer maneira, eu achei que depois que escrevesse todas as minhas fantasias esse desejo e essa falta de você passaria, mas ainda hoje eu não consigo te esquecer.
                Tudo bem se eu arrancar umas páginas ou outras, né? Eu vou reescrever a nossa história, não vamos acabar dessa maneira, eu não vou deixar a realidade me consumir, vou escrever com uma precisão de detalhes que nem vai parecer que não se trata da realidade, que realidade, essa que infiltra a minha pele? Eu não preciso dela, certo? Eu só preciso me convencer... Eu só preciso de você.”

                Assim como o prometido ele arranca algumas páginas e começa tudo novamente naquela fria madrugada.

1 de janeiro.
                “Querido diário, assim que nossos olhares cruzaram sorrimos um para o outro, eu senti algo percorrer por minhas veias e o coração bater mais forte, é isso que chamam de paixão?...”

                Ele continua escrevendo e escrevendo, mas assim que fechasse o diário saberia que sem a presença dela, aquele pequeno quarto deprimente, pareceria sem saída, como se estivesse preso dentro de sua própria mente.

15 de fevereiro.
                “Querido diário, hoje eu a beijei como se a briga de ontem não fosse nada, afinal eu não consigo deixar sua doce presença, e sei que pode parecer um pouco precipitado, mas uma historia linda como a nossa não pode ter um final...”

                Assim de novo, os dois acabam juntos na ficção, mesmo em suas histórias mais absurdas e desconectadas ela estava lá, como se o tempo e sentindo apenas existissem para dar sentido a história dos dois, ele continua escrevendo a história que jamais terá um fim para seu inquieto coração. Sem brigas sérias, sem desentendimentos mortais, apenas a doce felicidade de um alegre casal que foge completamente da realidade dos olhares não correspondidos e dos caminhos separados. Aos poucos ele vai acreditando no que escreve, aos poucos ele se deixa intoxicar pelas fantasias.

4 de abril.
                “Querido diário, eu corro rapidamente e a abraço, enquanto ela viajou nesse fim de semana eu só consegui pensar no quanto sentia sua falta, sei que foi apenas uma viagem familiar, mas minha vontade era de não deixar você escapar dos meus braços nunca mais, é como eu disse antes, não existe um final para nós...”

                E noite após noite ele escreve e deseja que tudo o que esteja ali se torne realidade, como uma criança que olha incessantemente para o céu em busca de uma estrela cadente que possa realizar seu desejo mais profundo e impossível, são incontáveis as historias que ele rabiscou e reescreveu, porque de alguma forma parecia que ela estava lá, mesmo que fosse apenas na mente dele.
                Conforme o tic-tac do relógio e a troca da lua pelo sol o escritor compulsivo deixa a caneta cair sobre o papel, a frustração acerta seu coração, o que deveria escrever? Será que deveria entregar um pouco de realidade? Ele apenas consegue escrever simples frase como “Eu te amo”, “Eu te quero”, “Preciso de você”, mas não importa quantas vezes aquelas frases fossem lidas, eram apenas desejos egoístas de um escritor compulsivo em um papel manchado de lágrimas que fora envelhecido com o tempo.
                Ele continua escrevendo aquela história vaga que não poderia ter um final feliz ou triste era apenas uma história, ainda sim ele tenta a enfeitar e trazer a tona uma falsa felicidade, mas nada disso faz parte da realidade, trata-se apenas de um simples desejo, de um simples lampejo da insanidade.

                Ele decidi queimar aquele caderno que escrevera tantas vezes diário, e mesmo assim ele sabia que aquele era apenas o começo do fim, que juntamente com aquele papel usado, queimava também seu coração.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Me Salve

                Eu levo minhas mãos até o pescoço, numa tentativa falha de conseguir normalizar minha respiração... Se é que eu respirava, o suor pingava pela minha testa, eram quatro horas da madrugada e eu havia tido o pior pesadelo possível, a sua ausência. Minhas mãos buscavam desesperadamente o celular, o que era algo inútil, seu número já não estava mais lá... E mesmo que eu te ligasse, será que você responderia? Provavelmente estivesse dormindo tranquilamente em sua casa, ou festejando até tarde bêbado em uma festa e até mesmo bagunçando lençóis por aí, de qualquer forma, eu não seria uma das opções, mesmo não querendo estar sozinha, mesmo havendo vizinhos do lado direito e esquerdo, eu estava sozinha, porque a única coisa que me faria sentir acolhida seria o seu abraço.
                Eu me levanto e acendo todas as luzes até a cozinha, tudo estava claro, mas ao mesmo tempo escuro, porque as simples luzes penduradas no teto não poderiam iluminar meu coração e nem a água que estava em minha mão poderia acalmar o furacão que acontecia aqui dentro, mesmo assim eu tentei de tudo, tudo o que não envolvesse você, desde lavar meu rosto e perceber o quão acaba eu estava como um viciado tentando se livrar da droga que era você, até passar incontáveis vezes pelos canais da tv em busca de algo que prendesse minha atenção e aliviasse os pensamentos.
                Com passos arrastados eu volto para o meu quarto sem me lembrar se havia apagado as luzes ou não, eu me jogo de qualquer jeito e observo a sacada com os olhos semicerrados, se meu corpo pudesse falar ele estaria clamando por socorro, é como se ele gritasse seu nome por si só e até acredito ter deixado seu nome escapar pelos meus lábios em forma de murmúrio e ter deixado meu coração acelerar ao te imaginar ali, naquela janela sorrindo pra mim, mesmo que o meu quarto estivesse completamente escuro, seus olhos brilhavam como nunca, você tinha esse talento de se destacar na multidão e eventualmente acabou se destacando no meu coração.
                Não pude evitar as lágrimas que escorriam quando a minha doce alucinação desapareceu, eu precisava de você ali, nem que fosse apenas em pensamento, eu precisava de você, nem que fosse para me dizer o quanto eu tenho errado, eu precisava de você para que tudo continuasse como estava, para que meu mundo não virasse essa desgraça, mas tudo o que me resta agora é pedir socorro, eu preciso de você como o sol precisa da lua, preciso como um pássaro precisa aprender a voar, seria fácil se apenas outro amor pudesse curar, mas o que posso fazer se só você pode salvar?
                A lua estava brilhando como eu nunca havia visto antes, a lua estava brilhando com a mesma intensidade que um dia seu olhar brilhou pra mim, mas hoje havia apenas um vazio em seus olhos negros que acabou por invadir meu coração, eu ouvi você me chamar e mesmo que eu corresse desesperada para aquela janela você não estava lá e novamente eu estava pensando onde você estava, novamente eu estava te imaginando e aqui dentro eu sei, que só você pode me salvar, eu pensei que essa loucura me consumiria, mas eu acreditei que você apareceria e me salvaria, eu precisava que você me salvasse... Mas você nunca foi um personagem de livro perfeito que bateria em minha porta naquela hora da madrugada dizendo que sentiu minha falta, eu acreditei que você poderia apagar todos os motivos que me fizeram chorar algum dia, eu quis acreditar que você estaria do meu lado e que quando as coisas estivessem difíceis o simples ato de segurar minha mão apagaria tudo o que senti, mas eu sei, que se você não está aqui eu não sou o melhor que posso ser, porque você é como o açúcar que ameniza o gosto amargo do café, a luz que invade a escuridão logo pela manhã, o que me faz ser melhor do que eu realmente sou, esse era você.
                E novamente eu estou gritando por você, novamente eu estou implorando pelo seu amor, porque nessa fria escuridão, você é o único que pode aquecer meu coração.
                Conforme a noite cai e o dia chega, a alucinação me deixa e eu posso me recordar dos momentos bonitos, de quando eu sabia o que era ser amada, quando você se sacrificou para ver um sorriso que fosse em meus lábios, não pude me esquecer de quando não me deixou e me animou para que todos os meus sonhos fossem realizados, era como se tivesse doado suas asas para que ao menos uma vez eu sentisse a brisa do céu me abraçar, admito ser como um passarinho engaiolado que jamais pode ser o que realmente é, mas você me estendeu a mão, me acordou desse pesadelo longo, me mostrou a verdadeira cor da vida, coloriu meu cinza e assim eu pude jogar as tristezas fora e tudo aquilo que me atormentou por tanto tempo, e isso só aconteceu quando eu e você nos tornamos nós.
                Quando o amanhã chega, eu finalmente consigo fechar meus olhos, afinal não era sua culpa não ser eterno.
                                                                                                                                                  ~Whisper