terça-feira, 18 de abril de 2017

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👼                            

         

         Eu demorei um pouco para associar as coisas, na verdade, eu acho que ninguém nunca percebe de cara o que esta acontecendo.


Fiquei um tempo encarando o teto em silencio enquanto tudo se remoía na minha cabeça mais uma vez, era difícil de aceitar, sempre é difícil de aceitar. Eu sabia que não devia me importar, que devia ignorar, fechar os olhos, não ouvir, não sentir, não fazer nada. Mas eu sentia até demais.
Não tinha como fugir daquilo, não tinha como evitar, não podia nem mesmo ver, como poderia lidar com o problema?

Estendi o braço para pegar o celular na cabeceira da cama e quando a tela se acendeu, o relógio marcava exatamente meia-noite. suspirei, eu não conseguia dormir, não conseguia pregar os olhos, meu coração parecia uma bomba no meu peito, acelerado, fora do ritmo cardíaco normal, era como se eu tivesse corrido uma maratona, mas uma maratona imaginária, que existia apenas para mim mesma.

A realidade pode ser sufocante as vezes, eu não conseguia dormir, por mais que quisesse, eu acordava desesperada a noite, buscando por oxigênio. Eu sentava na cama arfando, em desespero. Aquela onda de pensamentos que sempre me acompanhavam todos os dias, eu não podia escapar deles. Por mais que desejasse.

Eu andava e queria desaparecer em meio a multidão, parecia que todos os olhos estavam sobre mim, mesmo quando eu estava completamente sozinha. Sentia meu estômago se embrulhar, o enjoo constante, o desespero, a sensação de que a qualquer momento algo ruim iria acontecer. Mesmo que nunca acontecesse.

E agora eu estava ali, olhos abertos, na meia-noite de um dia qualquer, o que eu posso fazer? o que eu posso dizer? O que eu DEVO fazer?

Todos os problemas tem uma raiz, todos podem ser solucionados, mas, porque eu não conseguia resolver este?

Talvez porque ninguém estivesse por perto para me ouvir, ou porque eu não tentasse falar, talvez porque as pessoas estão ocupadas demais para perceber, em seus próprios mundos.

Se eu pudesse, eu pediria desculpas.
Mas você não aceitou meu pedido de desculpas.
Você me perdoou depois de me destruir.
A pessoa que me disse uma vez que a palavra Vigança é uma palavra ruim.

Entenda como quiser.
Quão hipócrita você pode ser?

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A chuva

       Ninguém gosta da chuva, poucas pessoas na verdade gostam. Eu aprendi a gostar.

Quando se vive em um lugar onde pouco chove, onde todos os dias se vê o sol, o céu limpo e azul, você deseja desesperadamente que chova. E mesmo que a chuva nunca venha, que leve meses para que o céu se encha com nuvens negras e pesadas, prontas para derramar sob a terra, você ainda acredita que vai chover.
    É por isso que ninguém gosta da chuva.
 Todo mundo sabe que vai chover, mesmo que demore, a chuva ainda há de cair. Antes, eu não reparava nisso, em como muitas vezes as pessoas são contraditórias e ingratas.
"Hoje o dia está quente demais! Espero que chova de tarde." Mas quando veem as nuvens negras se aproximando no horizonte "Parece que vai chover em? Que droga, vou ficar todo molhado!" 
Eu era assim, todo mundo já pensou assim em algum momento na vida, até que eu finalmente parei para pensar. Enquanto observava a chuva cair, alguém parar do meu lado e fazer esse comentário. 


Acho que nunca vou entender porque fazemos isso... 

sábado, 8 de abril de 2017

Me Deixe Saber

                Estamos dançando a última música mesmo sabendo bem que a melodia já acabou, não a que ouvimos, mas a que toca em nossos corações, eu estou me segurando, mas quando vai me deixar saber que tudo acabou?  Assim como a chuva que cai lá fora meus olhos ameaçam, eu apenas decido repousar em seu ombro, de qualquer forma você aparece em meus pensamentos até mesmo quando apenas quero respirar.
                E ainda que eu tente procurar uma razão ou outra, a solução é apenas aceitar que nosso amor é frágil como uma flor de cerejeira que não aguentou chegar à próxima estação, dizem que o que é eterno depende da intensidade, como fogos de artifício explodindo lindamente no céu nós acabamos, como um amor passageiro de apenas uma estação, sem mais nenhuma esperança, tudo o que sobrou foram as pétalas no chão.
                Ainda que seu toque tenha deixado de ser aconchegante, de me aquecer, eu não me sinto da mesma forma, meu coração ainda palpita quando penso em você, mesmo que essa melodia já tenha acabado pra você, aqui dentro de mim é como se o CD tivesse riscado e eu não pudesse me mover, como um laço que afrouxa apenas de um lado, eu ainda estou preso a você.
                Eu só queria que me deixasse saber que acabou, eu sei que o que sentiu deixou saudades, que as marcas te fazem pensar que podemos voltar a ser o que éramos, mas não se engane, eu e você sabemos que acabou, apenas me deixe saber pelos seus lábios que tudo acabou.
                São incontáveis as promessas que fizemos e que deixamos de fazer, o tempo gastou tudo, como palavras ao vento, nada conseguiu persistir ao tempo, eu tento procurar defeitos no que sentia por você, será que eu não te amei loucamente como Romeu e Julieta? E mesmo que tivesse, os dois não acabam juntos no final.
                Talvez eu tenha deixado sua tristeza passar quando não te deixei falar o suficiente no telefone, quando eu não me preocupei em acompanhar você, quando estava ocupado... No final do dia conseguíamos disfarçar e aquecer o que havia quebrado e congelado, talvez eu tenha deixado as estrelas irem com você, deve ser por isso que está nublado lá fora, mas agora já é tarde para tentar entender o que se passa com a tempestade, eu tenho apenas que continuar a dança.
                Quis acreditar que não haveria um final, mas pra sempre é muito tempo e nós ainda somos jovens para aprender a quebrar a regra de que tudo acaba, eu queria lutar, destruir isso e ficar ao seu lado, eu queria te dizer que pode confiar em mim, mas nós sabemos que essa melodia já chegou ao final.
                Talvez seja apenas a nossa idiotice que nos fez ficar perto, talvez já estivéssemos sabendo que não ia dar certo, de alguma forma perdemos algum amor durante a vida, mas continuamos vivendo, mas por que eu ainda tenho vontade de chorar e gritar quando penso que tudo isso está para acabar? Eu às vezes penso que podemos fazer as pazes, por que não poderíamos? Mas a realidade não é tão simples quanto a minha imaginação... Quem dera você apenas me deixasse saber que tudo isso chegou ao fim.

                -Hey, o que esteve pensando a dança inteira?
                -Nada... É só que estou cansado...

Um Milhão de Pedaços

                Com as mãos tremulas eu ando alguns passos atrás de você, é como se eu finalmente pudesse respirar, eu já não me sentia vazio ou impotente, é como se meu coração estivesse cheio agora e não cheio com qualquer coisa, cheio com a sua preciosidade, cheio com a sua raridade, eu penso em te agradecer diversas vezes por enriquecer esse coração pobre, mas nenhuma palavra seria o suficiente.
                Naquele momento eu percebi que todas as vezes em que eu disse “eu te amo” foram desperdiçadas com as pessoas erradas, é como se todo esse tempo eu estivesse procurando você em tudo, eu só não tinha notado que procurava você, no fim, é a única pessoa para quem quero dizer essa frase e muito provavelmente a última, mas a palavra última não me traz boas lembranças arrisco dizer que me traz a sensação de que essa é a última vez que vou te ver... Assim como uma estrela no céu, mesmo quando você está perto ainda sim está muito longe, é quase como se eu não pudesse te tocar, mas eu ainda sim preciso me arriscar, firmemente dou um passo mais a frente e recebendo um sorriso seu pela proximidade.
                Hoje à noite você é como todas as estrelas do céu, como se fosse um milhão de pedaços, que juntos preenchem o céu e o meu coração, é como se esses pequenos pedacinhos tivessem preenchido cada pedaço que falta no meu coração, talvez seja por isso que nessa noite escura ainda sim parece estar de dia, apenas com a luz do seu sorriso.

                O vento nos toca e traz consigo a neve que cai como bailarinas flutuando pelo céu, ao fundo uma música romântica, casais aqui e ali, eu olho para os seus olhos e você apenas sorri, será que hoje eu serei capaz de dizer essa frase pra quem realmente merece? Pra quem eu sempre pensei em dizer... Nesse conflito interno você talvez tenha notado que minha expressão mudou, eu estava um pouco nervoso e as palavras simplesmente não saiam dos meus lábios, mas eu pensei que talvez essa fosse a última vez, aquela temível ultima vez e então reuni coragem para me aproximar e deixar que nossos lábios conversassem como sempre imaginei, e naquele momento, aquele um milhão de pedacinhos se tornaram nós, aqueles pequenos fragmentos se tornaram um só pela primeira vez.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Ficção

23 de fevereiro.
                “Querido diário, hoje fomos ao parque de diversões, eu consegui pegar o ursinho rosa que ela tanto queria, seu sorriso quando o pegou em mãos foi o melhor presente possível, acho que hoje não vou conseguir dormir pensando no quão linda ela estava...”

24 de fevereiro.
                “Querido diário, hoje ela me abraçou forte quando eu ajudei um gatinho a descer da árvore, ela parece ser perfeita para mim, seu jeito é tão suave e sua personalidade tão agradável, ainda consigo sentir seu cheiro doce impregnado em minhas roupas, mais do que isso acho que seu cheiro ficou em minha alma...”

25 de fevereiro.
                “Querido diário, ela finalmente me deu um beijo! Estávamos no cinema e nossas mãos se tocaram enquanto eu fui pegar a pipoca, eu achava que essas coisas só aconteciam em filmes, foi realmente engraçado ter acontecido enquanto assistíamos um filme, passamos o restante do filme de mãos dadas, sua mão era tão macia e quentinha, a sensação continua até agora... Depois do filme fomos tomar um sorvete e como sou desajeitado acabei sujando o canto da minha boca, ela sorriu e deixou um beijinho ali... Tá bom, eu sei que não foi bem um beijo, mas seus lábios são tão maravilhosos que me senti nas nuvens...”

26 de fevereiro.
                “Querido diário, eu criei coragem e beijei ela (dessa vez de verdade), foi rápido, mas mágico, ela estava um pouco atrasada para a aula, então não pude demorar, estou planejando dar um beijo decente amanhã, mas e se as coisas ficarem estranhas? Estou um pouco apreensivo...”

27 de fevereiro.
                “Querido diário, no caso das coisas ficarem estranhas eu decidi levar um buquê de flores para ela, não estava cheio como aqueles grandes, mas acho que poucas flores mostram mais a minha intenção, eu não tinha tempo de esperar um buquê grande ficar pronto, eu passei rapidamente pela floricultura que fica pelo meu caminho e, além disso, ela nunca se importou sobre eu não ter tanto para gastar com ela, de qualquer maneira o sorriso dela foi tão sincero que estou pensando em criar um jardim aqui em casa e dar flores sempre que puder...”

28 de fevereiro.
                “Querido diário, eu ganhei cookies dela, não simples cookies, mas únicos, foram feitos por ela mesma, sabe quantas pessoa no mundo vão ter a oportunidade de provar? Eu me sinto tão único e honrado entre 7 bilhões de pessoas e ainda fomos jantar juntos, ela fica tão fofa quando come que quase esqueci de comer minha própria comida, aproveitamos bem cada segundo juntos...”

29 de fevereiro.
                “Querido diário, hoje havia uma daquelas cabines de tirar fotos na festa de uma amiga dela, fiquei feliz quando ela me convidou, saber que ela pensou em mim foi o melhor de tudo, tiramos várias fotos juntos, até colocaria nessa página, mas  eu já a coloquei na parede, quero olhar para o lindo sorriso dela todos os dias quando acordar...”

30 de fevereiro.
                “E mesmo que eu invente um dia a situação continua a mesma, mesmo que seja mais um diário fictício do que minha rotina, por que nada do que eu escrevo aqui se torna realidade?! Eu sei que ainda não consigo te esquecer, eu sei que ainda fico confuso toda vez que vejo um cara perto de você, mas eu não tenho a confiança de que qualquer um deles pode te fazer feliz como eu faria, eu não posso confiar seu coração a outro alguém... O que eu tenho para confiar? Seu coração nunca foi meu de qualquer maneira, eu achei que depois que escrevesse todas as minhas fantasias esse desejo e essa falta de você passaria, mas ainda hoje eu não consigo te esquecer.
                Tudo bem se eu arrancar umas páginas ou outras, né? Eu vou reescrever a nossa história, não vamos acabar dessa maneira, eu não vou deixar a realidade me consumir, vou escrever com uma precisão de detalhes que nem vai parecer que não se trata da realidade, que realidade, essa que infiltra a minha pele? Eu não preciso dela, certo? Eu só preciso me convencer... Eu só preciso de você.”

                Assim como o prometido ele arranca algumas páginas e começa tudo novamente naquela fria madrugada.

1 de janeiro.
                “Querido diário, assim que nossos olhares cruzaram sorrimos um para o outro, eu senti algo percorrer por minhas veias e o coração bater mais forte, é isso que chamam de paixão?...”

                Ele continua escrevendo e escrevendo, mas assim que fechasse o diário saberia que sem a presença dela, aquele pequeno quarto deprimente, pareceria sem saída, como se estivesse preso dentro de sua própria mente.

15 de fevereiro.
                “Querido diário, hoje eu a beijei como se a briga de ontem não fosse nada, afinal eu não consigo deixar sua doce presença, e sei que pode parecer um pouco precipitado, mas uma historia linda como a nossa não pode ter um final...”

                Assim de novo, os dois acabam juntos na ficção, mesmo em suas histórias mais absurdas e desconectadas ela estava lá, como se o tempo e sentindo apenas existissem para dar sentido a história dos dois, ele continua escrevendo a história que jamais terá um fim para seu inquieto coração. Sem brigas sérias, sem desentendimentos mortais, apenas a doce felicidade de um alegre casal que foge completamente da realidade dos olhares não correspondidos e dos caminhos separados. Aos poucos ele vai acreditando no que escreve, aos poucos ele se deixa intoxicar pelas fantasias.

4 de abril.
                “Querido diário, eu corro rapidamente e a abraço, enquanto ela viajou nesse fim de semana eu só consegui pensar no quanto sentia sua falta, sei que foi apenas uma viagem familiar, mas minha vontade era de não deixar você escapar dos meus braços nunca mais, é como eu disse antes, não existe um final para nós...”

                E noite após noite ele escreve e deseja que tudo o que esteja ali se torne realidade, como uma criança que olha incessantemente para o céu em busca de uma estrela cadente que possa realizar seu desejo mais profundo e impossível, são incontáveis as historias que ele rabiscou e reescreveu, porque de alguma forma parecia que ela estava lá, mesmo que fosse apenas na mente dele.
                Conforme o tic-tac do relógio e a troca da lua pelo sol o escritor compulsivo deixa a caneta cair sobre o papel, a frustração acerta seu coração, o que deveria escrever? Será que deveria entregar um pouco de realidade? Ele apenas consegue escrever simples frase como “Eu te amo”, “Eu te quero”, “Preciso de você”, mas não importa quantas vezes aquelas frases fossem lidas, eram apenas desejos egoístas de um escritor compulsivo em um papel manchado de lágrimas que fora envelhecido com o tempo.
                Ele continua escrevendo aquela história vaga que não poderia ter um final feliz ou triste era apenas uma história, ainda sim ele tenta a enfeitar e trazer a tona uma falsa felicidade, mas nada disso faz parte da realidade, trata-se apenas de um simples desejo, de um simples lampejo da insanidade.

                Ele decidi queimar aquele caderno que escrevera tantas vezes diário, e mesmo assim ele sabia que aquele era apenas o começo do fim, que juntamente com aquele papel usado, queimava também seu coração.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Me Salve

                Eu levo minhas mãos até o pescoço, numa tentativa falha de conseguir normalizar minha respiração... Se é que eu respirava, o suor pingava pela minha testa, eram quatro horas da madrugada e eu havia tido o pior pesadelo possível, a sua ausência. Minhas mãos buscavam desesperadamente o celular, o que era algo inútil, seu número já não estava mais lá... E mesmo que eu te ligasse, será que você responderia? Provavelmente estivesse dormindo tranquilamente em sua casa, ou festejando até tarde bêbado em uma festa e até mesmo bagunçando lençóis por aí, de qualquer forma, eu não seria uma das opções, mesmo não querendo estar sozinha, mesmo havendo vizinhos do lado direito e esquerdo, eu estava sozinha, porque a única coisa que me faria sentir acolhida seria o seu abraço.
                Eu me levanto e acendo todas as luzes até a cozinha, tudo estava claro, mas ao mesmo tempo escuro, porque as simples luzes penduradas no teto não poderiam iluminar meu coração e nem a água que estava em minha mão poderia acalmar o furacão que acontecia aqui dentro, mesmo assim eu tentei de tudo, tudo o que não envolvesse você, desde lavar meu rosto e perceber o quão acaba eu estava como um viciado tentando se livrar da droga que era você, até passar incontáveis vezes pelos canais da tv em busca de algo que prendesse minha atenção e aliviasse os pensamentos.
                Com passos arrastados eu volto para o meu quarto sem me lembrar se havia apagado as luzes ou não, eu me jogo de qualquer jeito e observo a sacada com os olhos semicerrados, se meu corpo pudesse falar ele estaria clamando por socorro, é como se ele gritasse seu nome por si só e até acredito ter deixado seu nome escapar pelos meus lábios em forma de murmúrio e ter deixado meu coração acelerar ao te imaginar ali, naquela janela sorrindo pra mim, mesmo que o meu quarto estivesse completamente escuro, seus olhos brilhavam como nunca, você tinha esse talento de se destacar na multidão e eventualmente acabou se destacando no meu coração.
                Não pude evitar as lágrimas que escorriam quando a minha doce alucinação desapareceu, eu precisava de você ali, nem que fosse apenas em pensamento, eu precisava de você, nem que fosse para me dizer o quanto eu tenho errado, eu precisava de você para que tudo continuasse como estava, para que meu mundo não virasse essa desgraça, mas tudo o que me resta agora é pedir socorro, eu preciso de você como o sol precisa da lua, preciso como um pássaro precisa aprender a voar, seria fácil se apenas outro amor pudesse curar, mas o que posso fazer se só você pode salvar?
                A lua estava brilhando como eu nunca havia visto antes, a lua estava brilhando com a mesma intensidade que um dia seu olhar brilhou pra mim, mas hoje havia apenas um vazio em seus olhos negros que acabou por invadir meu coração, eu ouvi você me chamar e mesmo que eu corresse desesperada para aquela janela você não estava lá e novamente eu estava pensando onde você estava, novamente eu estava te imaginando e aqui dentro eu sei, que só você pode me salvar, eu pensei que essa loucura me consumiria, mas eu acreditei que você apareceria e me salvaria, eu precisava que você me salvasse... Mas você nunca foi um personagem de livro perfeito que bateria em minha porta naquela hora da madrugada dizendo que sentiu minha falta, eu acreditei que você poderia apagar todos os motivos que me fizeram chorar algum dia, eu quis acreditar que você estaria do meu lado e que quando as coisas estivessem difíceis o simples ato de segurar minha mão apagaria tudo o que senti, mas eu sei, que se você não está aqui eu não sou o melhor que posso ser, porque você é como o açúcar que ameniza o gosto amargo do café, a luz que invade a escuridão logo pela manhã, o que me faz ser melhor do que eu realmente sou, esse era você.
                E novamente eu estou gritando por você, novamente eu estou implorando pelo seu amor, porque nessa fria escuridão, você é o único que pode aquecer meu coração.
                Conforme a noite cai e o dia chega, a alucinação me deixa e eu posso me recordar dos momentos bonitos, de quando eu sabia o que era ser amada, quando você se sacrificou para ver um sorriso que fosse em meus lábios, não pude me esquecer de quando não me deixou e me animou para que todos os meus sonhos fossem realizados, era como se tivesse doado suas asas para que ao menos uma vez eu sentisse a brisa do céu me abraçar, admito ser como um passarinho engaiolado que jamais pode ser o que realmente é, mas você me estendeu a mão, me acordou desse pesadelo longo, me mostrou a verdadeira cor da vida, coloriu meu cinza e assim eu pude jogar as tristezas fora e tudo aquilo que me atormentou por tanto tempo, e isso só aconteceu quando eu e você nos tornamos nós.
                Quando o amanhã chega, eu finalmente consigo fechar meus olhos, afinal não era sua culpa não ser eterno.
                                                                                                                                                  ~Whisper