Ela termina de colocar seus brincos favoritos e dá uma
última checada no espelho, do outro lado da cidade ele pega sua jaqueta de
couro, passa a mão no topete e desce as escadas.
Ao ver
a filha toda arrumada, a mãe grita toda preocupada:
-Filha,
não deixa seu copo sozinho!
Ela
acena e manda um beijinho, preocupação de mãe é tão fofinho.
Na
outra casa existe uma mãe igualmente preocupada, mas por outro motivo.
-Hey,
não esquece de usar camisinha!
Ele
apenas dá risada, sua mãe nem lhe cobrava para que fosse santinho.
Ela
demora vinte minutos para chegar, ele cinco.
Ela
chega com mais duas amigas, ele sozinho.
Ela só
está afim de dançar a noite inteira, já ele quer se divertir com algo mais
íntimo.
Ela
dança pra lá, dança pra cá, ele paquera daqui e paquera de lá.
Ela se
cansa e decide sentar um pouco no bar e por que não aproveitar uma bebida?
-Barman,
me vê uma vodka com limão!
Do
outro lado do salão ele acaba de levar um fora pela terceira vez consecutiva e
só então decide se sentar ao lado daquela morena que segura um copo vermelho.
Ela
toma um golinho e descansa o copo no balcão e só então escuta alguém chamar seu
nome na multidão era uma de suas amigas que veio se despedir, havia quebrado o
salto e já não estava mais confortável principalmente porque no dia anterior já
tinha comparecido em um evento, se despedem com um beijo e ela aproveita para
procurar a outra amiga na multidão, nem sinal dela, mas não havia com o que se
preocupar era a rainha da diversão.
A
morena vira seu banquinho de volta para o balcão e termina sua bebida em goles
maiores, já queria voltar a dançar e por isso nem tinha prestado atenção
naquele copo vermelho que ficou um tempo sem supervisão.
Sobrou
apenas o último gole quando o cara charmoso sentado ao lado começou a puxar
assunto, ele também parecia apressado para terminar a bebida e julgando pelo
modo como sua perna se agitava ele também estava desesperado para dançar.
Os dois
se levantam e vão para o meio da pista, eu me pergunto se a opinião dela teria
mudado se soubesse que lá dentro ele estava pensando que “Se não posso
conquistar, por que não forçar?”, mas já era tarde eles dançavam lentamente ao
som da frenética música eletrônica era até cafona de se observar.
Talvez uma ou duas músicas depois ela começou
a se sentir tonta e já não conseguia ficar em pé sem se apoiar, ele diz que vai
ajudar, mas ela já não sabe direito aonde está e sequer consegue dar o endereço
para que volte para casa em segurança.
Feito
uma ressaca ela sente a dor de cabeça a despertar naquele quarto branco ainda
com a vista embasada por conta da claridade, ela primeiro tenta identificar onde
está, talvez em um hospital, quem sabe e só então ela parece notar algo frio
contra a sua pele, esse algo era uma
banheira. Ela estava nua na banheira de um banheiro branco onde sequer fazia a
ideia de onde ficava.
Em meio
a isso tentamos achar uma explicação, quem sabe se o salto não tivesse quebrado
naquele horário, se o copo fosse transparente e ela tivesse prestado atenção
nas bolhas que se formavam ali ou até mesmo se a mãe dele tivesse dito para não
drogar ninguém, nada disso faz sentido, é apenas um meio de acalmar o coração
dizendo que as coisas poderiam ter acontecido de outro jeito.
Eu
apenas espero que aquela não tenha sido a última vez que ela se sentiu confortável
em sua própria pele.